A Airbus manteve sua posição como maior construtora de aviões comerciais no ano passado, mas reconheceu que em 2012 a história será diferente, com o duopólio que a empresa europeia tem com a americana Boeing Co. na indústria mundial de aviões ficando mais equilibrado.

Graças a uma constante alta no seu ritmo de produção, a Airbus entregou 534 aviões de mais de 100 assentos no ano passado, um recorde e uma alta de 4,7% em relação a 2010, além de ter ficado 12% acima dos 477 aviões que a Boeing produziu, disse o diretor-presidente da Airbus, Tom Enders.

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Reuters

Um visitante da Paris Air Show, maior feira de aviação do mundo, observa uma turbina LEAP, que compõe a nova geração de aviões de um corredor da Airbus, os A320neo

A empresa, controlada pela holding European Aeronautic Defence & Space Co., obteve um total bruto de 1.608 pedidos no ano passado, um novo recorde do setor que deixou a Boeing para trás com 921 pedidos. Os números se traduzem numa fatia de 64% do mercado mundial para a Airbus e de 36% para a Boeing. Excluindo-se cancelamentos de pedidos, a Airbus ainda ficou bem à frente, com 1.419 contra 805 da Boeing.

Em termos de receita, a Airbus também ficou na frente. Seu total bruto de pedidos chegou a US$ 168,8 bilhões, enquanto o líquido ficou em US$ 140,5 bilhões.

A Eads “é uma história de crescimento e uma máquina de dinheiro” graças à alta dos pedidos de aviões comerciais e a um aumento nos preços, disse o diretor-presidente do grupo de aeronáutica e defesa, Louis Gallois. A Eads terá uma alta “significativa” na lucratividade em 2012, disse ele, auxiliada pela queda nas perdas com o programa Airbus A380 e a aceleração da produção. A Eads deve divulgar os resultados anuais de 2011 dia 8 de março.

Contudo, a alta em pedidos causada pelo interesse de companhias aéreas de adquirir a nova versão mais econômica do jato de porte médio A320 vai perder força em 2012, disse o diretor operacional da Airbus, John Leahy. Ele disse que por enquanto não há problemas com financiamento de aviões, muito embora alguns fornecedores, especialmente franceses, tenham fechado as portas. “Vai ser mais difícil em 2012 do que em 2011, mas achamos que vamos conseguir chegar lá”, disse ele.

Mais da metade das entregas para este ano estão com financiamento garantido, disse Leahy, alguns por meio de endividamento e alguns com caixa das próprias companhias aéreas, além de alguns esquemas em que a companhia aérea compradora vende a aeronave e a retoma via leasing.

Mesmo que a demanda enfraqueça este ano, a Airbus e a Boeing vão continuar a dominar o mercado de jatos grandes, disse Leahy. “Nossa meta é permanecer um duopólio estável com fatia de mercado entre 60% e 40%, e eu prevejo que em 2012 nós cairemos para cerca de 50%, provavelmente até menos”, disse ele.

Com um acúmulo de pedidos de 4.437 aviões no fim do ano, em comparação com os 3.771 da Boeing, a Airbus entende que está bem protegida contra uma possível desaceleração do tráfego aéreo mundial que possa acompanhar um enfraquecimento econômico e encorajar as companhias aéreas a adiar expansões da frota.

A Airbus afirmou que está planejando aumentar as entregas em 2012 para cerca de 570, principalmente devido ao aumento da produção da família A320 de jatos médios de um corredor, que tem vendido bem.

Embora a Airbus tenha ficado com 70% do segmento de aviões menores, com 100 a 200 poltronas, a Boeing levou três quartos do mercado mundial de jatos com entre 275 e 375 lugares, graças a seu popular modelo 777 e seu novo avião 787-9. O rival Airbus nessa categoria, o A350-900, deve entrar em serviço em 2014.

© 2011 Wall Street Journal (www.wsj.com)

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